Fazia tempo que Michel não conseguia se conformar com a traição de Lorena.
Tudo bem que a sua relação com ela não era perfeita, mas Michel não conseguia ver como ele havia dado brecha para que Lorena pudesse tê-lo traído. Não brecha no sentido de não estar sempre no encalço dela, vigiando-lhe cada passo, mas no sentido de faltar no cumprimento de algum dever de namorado, como dar carinho, ser romântico, ser atencioso ou bom de cama. Vez ou outra haviam discussões e desentendimentos, mas nada que Michel acreditasse poder levar à situação em que se encontrava.
A descoberta viera dos amigos. Um colega de um amigo de Michel havia ficado com Lorena, e este havia espalhado que não era o único. Michel não acreditou, mas os amigos armaram pra ela, e conseguiram uma foto. Sem ela saber. Michel ficou atônito. Lorena, que sempre fora tão romântica, tão carinhosa! Como ela podia ter feito isso com ele? Algo estava errado no seu relacionamento. Muito errado.
Depois de algumas semanas refletindo e procurando falhas em si mesmo, Michel concluiu que a falha não deveria estar em si mesmo. Deveria estar nela. Era um bom namorado, afinal, disso tinha certeza. Passou para a próxima etapa do desequilíbrio psicológico: começou a ter ódio de Lorena. Fingir que tudo estava normal cada dia ficava mais difícil, e isso o estava deixando quase louco. "Que putinha barata! Me mete um chifre e age com a maior cara de pau como se nada tivesse acontecido!", pensava, mas ainda não sabia como reagir. Estava decidido, porém a pôr um fim àquela relação. Lorena sabia se fazer de vítima, sabia manipular, mas não cairia na armadilha dela. Tomou sua decisão. Iria expor os fatos e dizer que não a queria ver de novo, nunca mais.
Lorena bateu à porta de Michel e este a deixou entrar.
- Oi, meu amor! Como estava com saudades de você!
- É... eu também estava. Entra.
- Você está com uma voz triste! O que houve?
- Nada não, meu amor. Vamos lá pro quarto.
Entrando no quarto, Lorena pulou em cima de Michel e este a abraçou, enquanto ela o enchia de beijos.
- Meu amor, tenho uma surpresa pra você.
Mesmo depois do que ela havia feito a ele, Michel ainda não encontrava o momento ou as palavras certas de dizer a ela o que sentia.
- O que é?
- Vire de costa que eu já te mostro.
Quando Michel virou, Lorena estava com uma lingerie super sexy, meio transparente.
- E aí, meu amor? Gostou?
- É claro, meu amor, você está linda. Fica bonita de qualquer jeito.
- Ai, que bom que gostou. Eu sabia que iria adorar. Vamos estrear ela agora?
Com seu olhar provocante e seu rebolar insinuante, Lorena conseguiu fazer Michel perder a noção das palavras fatídicas que tinha decorado para aquele momento. Seu ódio foi se transformando em tesão, à medida que Lorena o abraçava, beijando-o e colocando os seus braços em torno de sua cintura. A boca de Lorena tão macia, seus beijos tão suaves e ao mesmo tempo quentes, como o delicioso aroma de uma comida suculenta, Michel logo se viu na cama com Lorena, passando a mão por seu corpo macio de adolescente, vendo como Lorena era gostosa, com seus peitinhos de biquinho rosado e sua bucetinha apertada, que parecia tão frágil mas que se lubrificava e expandia tão facilmente à sua penetração. Lorena era apenas prazer naquele momento, e Michel já não se importava com quantos homens ela havia deitado enquanto estava namorando com ele, apenas que era ele quem a comia toda semana, e como era bom comê-la.
Depois do sexo, o namoro transcorreu normalmente, como era de rotina: eles conversaram, riram, deitaram abraçados, assistiram TV... quando Lorena foi embora, Michel ficou pensando no que havia ocorrido. Como pudera tão friamente ignorar a traição de Lorena, como pudera permanecer tão indiferente a isso depois do sexo? Michel concluíra que já não amava mais Lorena. Não havia outra explicação. Já não sentia ódio, e imaginou que qualquer outra pessoa que realmente estivesse apaixonado não seria capaz de fazer o que fez, sentiria nojo dela. Mas Michel conseguiu vê-la como a garota que, quando cego pera ira, achou que ela era: uma putinha fácil, gostosinha, que só serve pra pegar e comer. Decidiu que não iria terminar com Lorena, pois o pior castigo que poderia oferecer a ela seria isso, ser um daqueles caras que apenas se finge de gentil só pra transar com a garota. Ela notaria alguma diferença em seu comportamento? Ela se importaria quando descobrisse a verdade? Michel já estava indiferente a isso. Não se importava com o que Lorena iria sentir. Só se importava com aquele seu corpo lindo, sensual, cheiroso que estava a seu dispor qualquer dia que fosse, qualquer hora que ele a chamasse. Era algo bom demais para se jogar fora, e fácil demais de se manter por perto. "Uma puta barata", pensou Michel. Uma puta barata que merecia ser tratada como uma.

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